quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A encarnação do verbo

O mistério da encarnação de Jesus é o maior evento da humanidade e a maior prova do amor de Deus aos homens. Por amor à criatura, o Criador assume a natureza dela, sem abandonar a Sua divindade. Ninguém melhor do que São Paulo explicou tão bem essa verdade aos filipenses: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz.” (Fl 2,6-8).Jamais entenderemos a imensidão do mistério da encarnação do Verbo de Deus, porque jamais compreenderemos a profundidade do seu amor por nós. A grande decepção de Deus conosco acontece quando percebe que não acreditamos no Seu amor. Para provar-nos este amor pleno, Ele foi até o extremo: fez-se homem, “escravizou” a Sua divindade nas celas da nossa humanidade, “limitou” a Sua onipotência em nossa carne e aceitou viver dentro dos estreitos limites da Sua criatura. Assumiu nossa fraqueza, aceitou nossos limites, chorou nossas lágrimas, sofreu nossas dores e morreu a pior das mortes...Jesus não poderia ter feito nada além do que fez para provar o Seu louco amor por nós. Mesmo sendo Deus “passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado”(Hb 4,15b).

Depois que Jesus se fez homem, ninguém mais pode duvidar do amor infinito de Deus. A maior blasfêmia é duvidar deste amor. Depois de nos ter dado tudo: a vida, a criação, o dom da Sua imagem e semelhança, Ele nos deu a Si mesmo, como prova extrema do Seu amor, sem reservas e sem nada exigir...

Jesus, que quer dizer Salvador, encarnou-se no seio imaculado da Virgem Maria para libertar-nos da morte eterna, pagando, por nós, como disse São Pedro, “não um preço de ouro e de prata, mas o Seu preciosíssimo Sangue derramado na cruz” ( citação livre de I Pd 1,18). O profeta Isaías, cinco séculos antes, já havia dito: “fomos curados graças às suas chagas” (Is 53,5c).

Aquilo que nenhum homem poderia ter feito pela humanidade, Jesus, encarnando-se, o fez: “Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio” (Hb 2,14).

Jesus, na encarnação, fez-se nosso irmão de carne e sangue para ser nosso pontífice até Deus “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma Lei, a fim de remir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a sua adoção” (Gl, 4,4). Pela encarnação de Jesus, somos agora filhos adotivos de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros do céu. Por isso São Pedro exclamou: “Em nenhum outro há salvação” (At 4,12a)

Essa é a razão da alegria e da ação de graças com que o cristão celebra o Natal. Toda a expressão de nossa gratidão deve ser levada àquela gruta bendita de Belém, como aqueles pastores e magos que “ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11c)

Um presépio caloroso e cheio de amor deve ser preparado no coração de cada um de nós. Ainda hoje, Jesus, Maria e José continuam a ser rejeitados nas hospedarias do mundo e do nosso coração. Ainda hoje, o Senhor do céu e da terra não encontra um coração onde possa nascer para salvar. Os grandes continuam a ignorá-Lo, mas os pequenos e humildes saberão recebê-Lo.

“Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” ( Jo 1,11).Que isso não se passe conosco. Que o nosso coração esteja preparado, limpo, ornamentado e perfumado para receber a Luz que “ilumina todo homem”( Jo 1, 9b), o Rei dos reis, o Príncipe da paz. Que Maria O receba em nosso coração hoje, como O recebeu da primeira vez.

FONTE: Livro Em Busca da Perfeição Felipe Aquino