Depois que Jesus se fez homem, ninguém mais pode duvidar do amor infinito de Deus. A maior blasfêmia é duvidar deste amor. Depois de nos ter dado tudo: a vida, a criação, o dom da Sua imagem e semelhança, Ele nos deu a Si mesmo, como prova extrema do Seu amor, sem reservas e sem nada exigir...
Jesus, que quer dizer Salvador, encarnou-se no seio imaculado da Virgem Maria para libertar-nos da morte eterna, pagando, por nós, como disse São Pedro, “não um preço de ouro e de prata, mas o Seu preciosíssimo Sangue derramado na cruz” ( citação livre de I Pd 1,18). O profeta Isaías, cinco séculos antes, já havia dito: “fomos curados graças às suas chagas” (Is 53,5c).
Aquilo que nenhum homem poderia ter feito pela humanidade, Jesus, encarnando-se, o fez: “Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio” (Hb 2,14).
Jesus, na encarnação, fez-se nosso irmão de carne e sangue para ser nosso pontífice até Deus “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma Lei, a fim de remir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a sua adoção” (Gl, 4,4). Pela encarnação de Jesus, somos agora filhos adotivos de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros do céu. Por isso São Pedro exclamou: “Em nenhum outro há salvação” (At 4,12a)
Essa é a razão da alegria e da ação de graças com que o cristão celebra o Natal. Toda a expressão de nossa gratidão deve ser levada àquela gruta bendita de Belém, como aqueles pastores e magos que “ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11c)
Um presépio caloroso e cheio de amor deve ser preparado no coração de cada um de nós. Ainda hoje, Jesus, Maria e José continuam a ser rejeitados nas hospedarias do mundo e do nosso coração. Ainda hoje, o Senhor do céu e da terra não encontra um coração onde possa nascer para salvar. Os grandes continuam a ignorá-Lo, mas os pequenos e humildes saberão recebê-Lo.
“Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam” ( Jo 1,11).Que isso não se passe conosco. Que o nosso coração esteja preparado, limpo, ornamentado e perfumado para receber a Luz que “ilumina todo homem”( Jo 1, 9b), o Rei dos reis, o Príncipe da paz. Que Maria O receba em nosso coração hoje, como O recebeu da primeira vez.
FONTE: Livro Em Busca da Perfeição Felipe Aquino
